O que você sabe sobre esse relação agridoce?
- Erick Tomaz
- 18 de nov. de 2019
- 3 min de leitura
Duas multinacionais que ofertam alguns dos fast foods mais famosos do mundo. Duas empresas que, enquanto concorrentes, fazem de tudo para aumentar o número de clientes, superar vendas e bater recordes de faturamentos. No entanto, apesar das relações microeconômicas intensas, são organizações que lutam sempre juntas por causas maiores.
O que dizer, então, da relação entre McDonald’s e Burger King que, nos melhores dos termos, seria como “agridoce”?

Não há dúvidas de que, mundialmente, elas ocupam grandes postos econômicos por consequência de uma população consumista de produtos rápidos e práticos. Só no Brasil, por exemplo, a quantidade de pessoas que consomem fast foods chega próximo a 30%, se tornando um dos países que mais consomem alimentos desse tipo no mundo. Assim, com essa rede gigantesca de pessoas que compartilham do mesmo gosto, o mercado é perfeito para grandes concorrências.
Tratando-se da batalha pelo domínio de um apetite ágil e saboroso, a empresa McDonald’s sai na frente. Ocupando a primeira posição do ranking, o famoso “Méqui” aparece com um valor de US$ 130,4 bilhões, superando todas as outras concorrências, inclusive o Burger King. Mas como, do outro lado do ringue, o “BK” se comporta para superar as expectativas e vencer?
São inúmeras as estratégias, indo desde promoções até novos lanches e combinações. Entretanto, todas elas culminam para um único ponto: o marketing. Aliás, não há nada melhor para mexer com o consumidor, de forma profunda e sentimental, do que uma boa propaganda, certo? Pois é para tal sistema que grande parte dos investimentos deles são direcionados.
Seja com o marketing tradicional, digital ou com os diversos outros tipos existentes, uma coisa é fato: o objetivo sempre será atrair cada vez mais clientes – de preferência, os dos concorrentes. Porém, é importante ressaltar que as estratégias não são voltadas unicamente para satisfazer, de modo direto, o consumidor, como é o caso de divulgações sobre produtos em promoção, por exemplo.
Talvez a pergunta que você esteja fazendo neste momento seja: “Então, qual seria um outro jeito de atração?”. O humor! Apesar de parecer estranho e difícil de imaginar, a utilização de táticas humorísticas para afetar a concorrência é muito útil, uma vez que aborda perspectivas diferentes sobre uma determinada coisa ou aspecto, chamando a atenção do indivíduo consumidor, no caso, de fast food.
Um exemplo disso foi quando o Burger King decidiu vender Whoppers nos Estados Unidos por 1 centavo de dólar se a pessoa fizesse o download de um app de delivery do “BK” no estabelecimento do “Méqui”. Com tal tática, foram realizados, em 9 dias, 1 milhão de downloads, fornecendo um retorno de 37 para 1, como assim afirma Fernando Machado, head global de marketing e CMO global da empresa.
Em contrapartida, McDonald’s nunca deixa barato. Com estratégias semelhantes ou ainda mais inovadoras, busca sempre novos clientes, além de recolocar os que foram “perdidos”, digamos assim. Enfim, é notável que as relações microeconômicas e a busca pela supremacia no mundo dos fast foods são muito ambiciosas. Contudo, o comportamento de ambas as empresas nem sempre é pela maior lucratividade.
Como o objetivo de realizar uma ação social anual, o McDonald’s, no tão aclamado McDia Feliz, reverte toda lucratividade referente à venda de Big Macs em doações para crianças e adolescentes com câncer. Até então, nada de novo. O diferente está em uma atitude não egoísta. No McDia Feliz deste ano, na Argentina, o Burger King realizou a campanha “Un Día Sin Whopper”, instigando seus clientes a não comprarem um Whopper, mas sim Big Macs.
Tal situação nos mostra que os laços entre as organizações vão muito além do que pensamos. E não é a primeira vez que isso acontece. Todavia, a atitude simboliza um espírito que transcende a ambição capitalista de lucrar e sobressair aos concorrentes. Assim, apesar da constante batalha concorrencial, existe um dia para dar uma pausa e pensar em outros assuntos.
Dinheiro e poder podem ser importantes, mas sempre haverá algo maior que una inimigos, adversários, competidores ou, como é o caso, concorrentes: uma causa social.
É uma conexão amarga e ácida? Ou uma conexão doce?
Bom, intitulem como preferirem, mas a verdade é que, no final, não deixa de ser um “romance agridoce”.
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